Casos Clínicos 2

 

 

 

 

 

 

 

Artigo 4

Um Caso de Timidez  e Medo do escuro  

 autor: Regis Mesquita

 

 Muitas pessoas solicitam que eu apresente uma sessão de regressão para que possam ter uma idéia de como esta funciona. Escolher uma sessão específica, entre tantas já realizadas, é uma decisão difícil, pois as técnicas são variadas e o andamento de uma sessão varia de pessoa para pessoa e de patologia para patologia.

Escolhi um caso no qual a sessão inicial resultou em grandes benefícios para o paciente (normalmente necessitamos de algumas sessões antes do benefício acontecer).  Esta escolha foi realizada em decorrência do didatismo da sessão,  possibilitando uma visão da técnica de trabalho. Esta sessão realça, também, a seriedade e o compromisso com o tratamento e a melhora do paciente.

 

O caso: A., adulto jovem, sofria de medo do escuro e timidez. Desde sempre dormia em lugares claros e evitava danceterias e outros lugares escuros. Sua timidez trazia elementos contraditórios: fazia amizades, mas evitava aprofundá-las e raramente as mantinha. Como professor, ator de teatro e dirigente religioso a todo momento se expunha e era o centro das atenções, apesar de não gostar desta situação. Retraído e com dificuldades de criar vínculos afetivos, participava de concursos de poesia, escrevia e dirigia peças de teatro. Sofria de algumas outras fobias, como medo de andar de bicicleta, altura, etc. O foco do trabalho foi direcionado para o medo do escuro (escolha do paciente).

 

Indução da regressão: Ao iniciarmos o trabalho de indução voltamos nossa atenção para o foco escolhido. A. descreveu suas sensações de tremor, ansiedade e calafrios. Na mente aparecia o medo de acontecer algo estranho “que não sei o que é”. A partir destas sensações aprofundamos o “transe” (com o paciente sempre consciente).

A regressão Seu corpo ficou dormente, com dificuldades de movimento – sensação de morte. Imediatamente aflora na mente a imagem de um homem (que o paciente identifica como sendo ele em outra vida). Este homem está em uma sala a meia-luz sendo torturado: choque, afogamento, espancamento, entre outros. Os torturadores perguntam: “onde estão os outros?” Ele resiste às torturas e pensa: “eu não posso dizer”. Dia após dia a tortura se repete e ele não entrega os amigos. Ele então se “vê” num hospital (alguns dias após a cena visualizada anteriormente) onde é dopado, enquanto definha. Em poucos dias morre. A morte é sentida como um alívio.

No pós-morte o sentimento predominante é de raiva, desejo de vingança e sensação de injustiça. Neste momento realizamos o esgotamento (catarse) de todas as cargas somáticas e sentimentais presentes no processo da morte e do pós morte. Passamos a trabalhar no plano cognitivo: qual avaliação que ele faz da vida? Ele avalia sua juventude idealista como positiva. Porém, avalia que ele foi preso apenas porque alguém o traiu e o denunciou. Ele, por sua vez, se sentia satisfeito por não ter traído ninguém. Desta avaliação surgiu uma dicotomia onde idealismo correspondia a um risco de enfrentamento com pessoas poderosas e um risco maior ainda de ser traído pelos mais próximos. Nesta avaliação está a gênese de sua personalidade contraditória atual onde o idealismo presente em suas atividades sociais se contrapõe a dificuldade de estabelecimento de vínculos afetivos e de amizades.

Segundo a regressão realizada, este padrão contraditório entrou em sua vida atual durante o nascimento. Ao nascer ele se viu a mercê de pessoas estranhas (médicos) que o pegaram pelo pé. Sentiu medo, reviveu o trauma da tortura, só amenizada pelo fato de haver uma luz forte (diferença importante em sua memória das sessões de tortura à meia-luz). Esta foi a origem da relação que se estabeleceu na sua mente entre claridade e segurança. Trabalhamos as cargas somáticas, emocionais e cognitivas vivenciadas neste momento, de forma a desvincular as experiências da tortura e do nascimento. Esta estratégia foi bem sucedida, pois o paciente passou a ser capaz de dormir no escuro após este trabalho.

Ao ser retirado da barriga da mãe e se sentir a mercê dos médicos (hipotéticos torturadores), ele sentiu uma profunda raiva e decidiu que não iriam vencê-lo nesta vida que se iniciava. Ele decidiu continuar com seu idealismo e novamente enfrentar  “os poderosos”. Desta forma ficou reforçada a relação entre atividades sociais e risco de vida/traição.  Esta decisão (não irão me vencer nesta vida) influenciou sua vida até aquele momento. Era necessário mudá-la para que o trauma da tortura fosse definitivamente superado, pois com esta decisão ele mantinha viva em sua mente a luta contra “os poderosos” e seguia os mesmos parâmetros de experiências da época em que foi torturado. Além disso, era necessário trabalhar as várias crenças, experiências de vida, decisões e “identidades” construídas ao longo dos anos e que possuíam esta decisão como pilar central. Durante esta sessão trabalhamos apenas algumas das conseqüências, outras conseqüências seriam trabalhadas em sessões posteriores.

  

Observação sobre a timidez: muitos psicólogos qualificam a timidez como um sofrimento silencioso. O tímido não incomoda ninguém e com isto a maioria das pessoas tende a não perceber que existe ali um indivíduo que está sofrendo e que merece ser ajudado. A imensa maioria dos tímidos deveria ter acesso a um tratamento terapêutico a fim de superar suas dificuldades internas.

Lembre-se: o tímido tem dificuldade de procurar ajuda por si próprio. Por isto ele precisa da ajuda daqueles que lhes são próximos para motivá-lo e auxiliá-lo a buscar um tratamento.

 

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O livro Nascer Várias Vezes foi escrito pelo autor deste

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